11/03/2010

Com três dias de sol e a circunstância já se torna mais clarividente.
A ausência já se permite confortada.Já não está frio de mais para me sentir...
Lisboa volta a ser uma cidade de esquinas, um atropelo de culturas e diálogos em cruzamento, uma agitação solarenga.
Já esqueci a imagem esbatida no frio do carro, a cor ocre e cinza, difusa e ensombrada, pintada por luzes vermelhas e traços oblíquos de lágrimas permanentes e cristalinas. Imagem que me fazia pensar como será horrível viver na capital inglesa, em choro divino permanente.
Sempre é melhor estar aqui do que noutros e outros lugares onde se poderia estar....

10/03/2010

O medo faz-nos só,
Mas está frio de mais para me sentir...

Benefício do Pêndulo

Quando pensamos, pensamos mal,
Quando meticulamos, fazêmo-lo mal,
Quando projectamos, pensamos
e se pensamos, pensamos mal.

A alma é intrínseca ao pensamento,
logo se pensar é pensar mal,
"almar" é fazê-lo mal.

Sentimos porque pensamos
Se pensamos, pensamos mal,
por isso
o sentir é um mau sentir.

Desejamos quando não pensamos
mas ainda assim
desejamos porque a alma deseja
e se "almar" é mau,
logo desejar é mau.

Se o pensar, o ter alma e o desejar
é fazê-lo mal!
Porque tem a condição humana de fazê-lo?
Porque ligamos a pessoa a um espírito?
E esse espírito interpõe a existência de alma e de mal?
Porque o transcendente, um dia, nos impeliu o mal
e se esqueceu de mostrar o Bem?

O Bem estará no não mal
assim encontra-se o Bem
não na alma, nem no pensamento, nem no desejo.
Onde se encontra então?
Onde está o Bem na pessoa?

Pessoa e Bem unem-se na calma do ar.
Talvez o Bem esteja para a pessoa,
Como o ar.
Sem atitude mas omnipresente,
tornando-se mal
quando o vento o manifesta.

Será essa a essência do Bem?
Só se manifesta quando não há atitude.
E quando o vento da alma e do pensamento incorre
há necessária e fatalmente ocorrência do mal.

A pessoa vive na dualidade
da operância e da passividade.
sendo a primeira infortunadamente
uma expressão de mal.

A passividade promove a omnipresença do bem
mas a negação de uma existência
Não existir é não ser pessoa.
Como pode a pessoa não existindo,
ser o Bem,se o Bem
implica atitude altruísta.

É difícil, é complicado
e com isto já a pessoa volta a pensar,
a expressar o mal!

A passividade origina abdicação,
a abdicação implica a ausência,
a ausência implica a não vida
e a não vida não se coado-na com o bem.

Qual é o significado da pessoa e do viver?

A passividade não o será.

Há um intervalo onde ela se poderá adaptar
O intervalo entre o ser e o não ser,
é indefinido logo não o penso,
é desconhecido logo não o "almo"
é insensível logo não o desejo.

Sim viver no meio,
pendurado no pêndulo,
que ora é ora não é.

09/03/2010

Tenho vontade de soprar e ver-te voar ...

Um Compasso quartenário e sinto-me feliz

Descalcei-me das pedras enfadonhas do dia...subi as escadas do teatro e percorri o sotão até mirar a grande espelho.
A musica, a dança, enfim a arte em geral sempre foi o grande descompressor. Estou cada vez mais ciente de que se trata do verdadeiro caminho para a felicidade e para a verdade. Será por meio deste que sairei das sombras da "Alegoria da Caverna" e conhecerei o que realmente importa nesta vida mediocre e repleta de superficialidade.
Ouve se salsa, a dança desmesurada e arrebatadora de um povo reprmido que adquire a sua alegria no contorno de enlaces perfeitos, contactos corporais intensos e onde a agitação da melodia os eleva num estado de zen, se o relacionássemos com o mundo oriental. Diria também que fazem nas ruas de Cuba grandes manifestações de delirio saudável, tal como na época clássica o faziam as ninfas domadas pelas inspirações dionisicas.
Enfim começa a aula...a salsa danca-se num compasso quartenário e a frase faz-se de dois quartenários..tudo o resto é condução...conduzem e nós mulheres delizamos pela sala numa efusiva excitação e tudo o resto se difunde...que sensação de elevação...
Para quando uma condução certeira para esta vida ...

Quando o dia passa sobre o dia, se atropela sem real conceito, quase uma devastadora destruição...causada por um qualquer terramoto interior e fulminando e assustando com a previsão de um tsunami..a natureza com a sua verdade devastadora que reflecte a condição sensível a frágil desta vida cansada que levo...

As árvores aqui não se despem no Inverno,
Mantém-se perpétuas,
Engrandecidas na sua robustez,
Os órgãos não ululam hoje, ouvem-se finamente.
Uma melodia rasgada pelas asas das aves
Que esvoaçam e cortam de rasgos negros o céu azul.
O vento não corta a face,
E a sombra encara a realidade.
Coloquei-me ao sol ...
Esperava as árvores despidas, as aves quietas
a envolvência diferente...
Não a encontrei assim...
Está paralela...com cores diferentes,
tons mais decididos e frios
verdes e castanhos esbatidos num chão cru.
Domina o frio interrompido por notas quentes
de um sol alto de inverno...
Voltarei na Primavera para ver a mudança,
E Esperar por essa mudança
dentro de mim.
Olhar o lago e a reflexão de uma imagem risonha,
rasgada e florida.
O desenho de uma circunstância povoada de alegrias e calmias.