28/11/2012

A morte de um amor!

Mãos hidribas…Mãos ásperas da água fria. Em mim tendões de desassossego. Sob mim Órion, limpidamente imenso e a lua é um sorriso largo de gozo declarado. Desenho uma pele fina e rosada, com um jugular pulsante. Presa entre minhas mãos secas, entre os dentes retesados, túrgidos. Prontos para rasgar. O gozo do degolar. O luar pintou me a dentadura de um sangue fresco e fui completamente verdadeira. Não fui eu, não foi sequer o nada. Fui a perspetiva inconsciente da noite, inseparável do vento, aquele estado de alma que nem reconhece a música. A lua brilha nos caixilhos das janelas e faz surgir as sombras das ombreiras. A cidade revela-se uma catalogação de corações… e interessa-me o sangue… Rasgou-se-lhe a carne da coxa e acontece um jorro de sangue quente. Senti-lhe o horror e tomo-lho a gosto. Enterro os incisivos e foi o frenesim. Senti-lhe a traqueia, as artérias carótida e femoral rasgadas. E depois, depois foi o carrossel da perda massiva e em escala dos tecidos do corpo e a atmosfera de salpicos de rubis…rubis a coalhar nas paredes. É hora da coisa distinta, o pináculo da consumação extasiada. Estou a tomar-lhe a vida. Engulo aos pedaços, aos fiapos, dentadas, goladas, como aos nacos… Foi o festim do lucro nojento. Vi me criatura. Senti algo como o realismo depois do pós-coito…uma onda de repugnância. O calor foi-se… Saltei, cai e desatei a correr. Não tinha caminho mas saiba que me queria longe das pessoas. Começou a chover, a chuva começou a destruir a neve e o rasto foi extinto…

01/04/2012

Vou fazer uma trança e sonhar me princesa! Vou construir sonhos a cada volta. Frente aos espelho de contos de fada. Sou uma poeta irremediável, sou passional e por isso sou e gosto de ser solitária. Sou um não ser. Sou angústia porque sou poeta e ela permite me conecer a autenticidade.Angustia sobria em poesia sonhadora...sou porque senão fosse assim não se saberia a que cheira, sabe a arte. Acabo a minha trança, sou princesa e vou sonhar com : um castelo azul porque não me apetece clichés. Boa noite.

13/03/2012

A ultima árvore

Derradeira, última. Uma Réstia na mancha, outrora verde, delícia de frescura , agora caos de cidade e de gente.

Somos da mesma natureza?!

Alta, robusta, rude, dura, altivez de eco nos ventos. Galhos frágeis, troncos ásperos, cicatrizes de amores humanos.

Fui baloiço de sonhos de crianças, amparo de confissões de adolescentes, evasão de adultos perdidos.
Sombra para deleite! Sombra que assombra na noite!
Fui…tempo de antes! Hoje sou seca, de uma dureza triste, asas de tempo que passam e desvanecem nesta minha confissão de morte.
Sou antiguidade que tende a curvar-se sobre a margem do lago. Lago que renasce a cada Primavera.

Somos da mesma natureza?!

Eu não renasço ! Afundo no mesmo trilho a alegria e a tristeza e desbrota a esperança.
Quero um salgueiro para entrelaçar-me este tronco oco e perpetuar um afago no abraço fatal.

Na sombra dos galhos, que se estendem na horizontal, nascem e apodrecem cogumelos. A vida acontece e desfalece.

Hoje, não serei mais sombra refrescante, dado que seco em cada memória da floresta que é agora urbe caótica.
Hoje, não sirvo mais de baloiço à criança, não se confessa mais o adolescente ou se perde o adulto. Porquê? Porque seco em cada memória da floresta que é agora urbe caótica.

Tenacidade, plenitude, cor, agradabilidade, bravura, fortaleza, solidez, avareza, deleite.

Fui-o! Fui, pretérito perfeito que me encolhe a força e vontade da raiz em procurar água e alimentar-me. Sede de vida que se insurge ténue já que a vida e a morte são menores à força do amor ou da solidão.

Hoje sou última Thuja, da floresta de antes.

E findo levemente, estalo à força agreste do vento que irrompe e me descobre nestes negrumes blocos de cimento. Que dizem: contam a história da humanidade!

Somos da mesma natureza?!

Não sei. Mas sei que quebro e curvo-me em leito final, na margem do lago que ainda renasce a cada primavera.

06/03/2012

Linha

Sofro, num sofrer absorto. Este sofrer que perfura. Porque nasci para ler palavras.Vivo como uma pseudo e sou uma escritora de margem. E sou uma leitora apaixonada. Fecundo o amor nas palavras. Realizar me nas palavras. Ser no miradouro da prosa, orgasmigar nas metáforas da poesia livre. Ah... fado que trago.O papel é um massacre, as palavras são tristes e a minha alma arrebata-se naquele que escreve comigo.

Ficamos numa linha, escritos na tempestade da pingas que esgueiram de ti, pena frágil.

Somos linha no traço da vida. Linha de sangue em luz.

Fui criadora de palavras. Sobrevivo em palavras. Existo no traço da caligrafia. Desenho arte na significância. Aprofundo-me no significado.

Sou palavras. Sou leitora. Sou aquilo que escrevo na linha...

03/03/2012

Na rua do beco...

Na rua do beco, envolta na névoa, acatam-se os motores dos carros que passam sem norte na perpendicular.
O apartamento fica ao fundo, na direita da rua sem caminho seguinte. Os passos não se ouvem no vácuo que a rua do beco cria.
Foi acordada pela campainha, olhou o relógio que dita o tempo da vida. Marcava quatro da manhã. Quem será? O que será? O que me traz a campainha que ouço? Ponderava ela.
Desceu as escadas de madeira que pareciam ganir, soltas pela antiguidade, estalando de ocas. Havia sempre, ante a porta, aquele corredor longo e estreito. Sentiu ânsia e anseio. Perguntou-se!… mas antes de responder-se caiu para trás com o som brusco da porta derrubada e empurrada.
Uma voz alta e grossa, severa e determinada ecoou no corredor estreito e longo.
Porque vindes a horas tão despropositadas à minha calmia? Perguntou-lhe e escutou: porque somos nós e existimos como nós?! Percebeu a unidade…
A voz grossa continuou. Ouço os batimentos desse teu coração e ordeno senti-los na palma gélida que trago na mão.
Senti-o a aproximar-se, zumbia num arfar fumegante, solitário, as artérias dilatadas pareciam rachadas. Sabia que também ele recebia o som do seu diafragma contraído, uma inspiração forte e curta.
Que fazemos? Questiona-me e continua. Ouves o nosso anseio. Inspiro e revelo: quem és? Como se não soubesse quem era...
A minha razão ouve-nos de súbito colar ao chão. Penso fugir-lhe, fugir do que escuto! Não?! Ao invés existo por fim ali.
Marchamos no vento que corre no corredor longo e estreito. A pálida lâmpada deambula num compasso grave. Na rua do beco o silêncio ouve-se. E nós? Nós somos. Nós existimos ali.
Ela uma bacante desenhada em desventura por Bouguereau, de traje leve a evidenciar aquela nudez crua. Entrega-se à loucura, desmedida violência reflectindo sons na parede do corredor estreito e longo, numa luta livre, numa dança lasciva. Sente-lhe o Tirso de Baco, o cacho irrompe por ela, cheira a semén. O ruído é agora das carnes contorcendo, fazendo um batuque constante no chão que estala de talhas de madeira podre.
Mas… o punhal atravessa lhe o frente, o grito forte dela e gane enquanto a cabeça bate três vezes ferozmente. O dedo dele balançava nos lábios dela, ouvia-lhe a angústia. Ela descria os olhos e lia-se sinistro nas áureas. Atravessou-lhe o cotovelo e cravou convicto o punhal no ombro, peça escultural. O fervor doentio enquanto se descolava a lamina da carne quente. Guatejava sangue, deslocou a faca e a carne era visível, a entranha daquela que sentia agora o que ouvira. Quis cravar-lhe ainda a mão na clavícula exposta. Mordeu-lhe as mãos, repleto de adrenalina, até ressoar o estraçalhar entre dentes.
Era a hora? Ela ouvia a hora! Num gesto mudo, ali no corredor estreito e longo, onde a lâmpada baloiçava e a névoa lá na rua do beco, o punhal ultrapassava-lhe o peito, enquanto se endurecia a auréola do mamilo.
Pensou como ela era bela, inigualavelmente bela. Mas girou a faca e algo estalou, as costelas frágeis sucumbiam à fúria dele. E fez-se saltar entranhas e sangue, qual espectáculo de pirotecnia. O golpe mortal…sem treino, só instinto. A certeza do fim de quem quis existir com ele.
Contemplou-a como a um animal abatido e esperou que o seu olhar perde-se o brilho.
A vida é tão efémera quando se decide existir com ele.
Terá ela ouvido a tranquilidade, questionou-se. Não se importa, mostrou-lhe a claridade.
Sileno, esta manhã decidiu ama-la e seguiu confiante. Iria ser o inicio das suas vidas. Helena saberia em breve.
O apartamento à direita, da rua do beco estava aberto. Decidiu adentrá-lo…ao fundo do corredor estreito e longo ela sazia bela. Ao lado um bilhete.

Estás atrasado. Como ousaste atrasar-te tanto! Ela sucumbiu a mim…
Remetente: Medo.


As histórias podem ser escritas, contadas. Até sem linguagem, cantadas, desenhadas ou podem ser o que ouvirem. Ela ouviu o medo e ele contou a história dela.

24/02/2012

A que cheira o gozo!





Caminho na brenha virgem,
Entranha-se aquele aveludado de jasmim com a frescura verde,
Ensaio a magnitude introspectiva.
Quedo num ápice e medro os braços ao solo...
Sente-se a gleba de onde venho,
Odor barrento, frágil notar de um perfume de vida
As folhas, no chão, a crescerem para mim.
As folhas no chão cheiram-se em mim
O dorso a mimosear-me.
Rebolo pelo desfiladeiro,
Parando ali...na margem.
E cheiro o que sinto,
Quando se ama o olfacto nasce.
Cheira se a flor no jardim, a frescura do riacho ao fundo.

Deslizo o dedo pelas tuas costas, exala-se a pele,
Entrego o olfacto na concha do teu ombro,
Desprendo me de mim e sinto o cheiro cipreste das tuas catedrais de carne,
Arrojado é o meu olfacto,
Ata-se de sentir ao teu corpo.
Descobre a imensa suavidade do paladar fundido em sabor silvestre,
Cheiro a amora.
Afundas te nos meus olhos e dizes que sabem a mar, cheiram a maresia.
Fumegante, o corpo é um fogo preso a desarmar…
Então...Ergue se a face ao céu,
Já não sinto mas cheiro,
Ateias-me, Oh…nó de cumplicidade!
Rolamos unos pelo chão decadente,
Entre orvalho, entre mofo entre musgo.
Já não sinto,
Só cheiro,
O desejo.
Afundamos na simbiose da emoção,
Aquela que nasce da sintaxe.
Apelamos à eternidade do momento de fundição.
Grito aos gramáticos que perpetuem o tempo gramatical,
Porque já não quero sentir, só cheiro o delírio.
Num soprar de intento, os olhos suam abraçados.
Não sinto.
Ou o cheiro é já só o que sinto?!
Ou sinto que cheiro mais do que sinto?!
Imagens de âmbar, anis, canela, flor de laranjeira…
Cheira me a pureza… pureza crua.
Dois corpos que aromatizam o brenho com pureza crua.
Galopa, cavalo árabe de crista espessa e fulgurante,
Cheira-me a lascividade emotiva,
Sim já não sinto juízo, mas cheiro devassidão ,
E galopo…
Eu e Tu,
Tu e Eu,
A humidade da terra,
A frescura da água,
O escaldar do ósculo,
A fundição,
O gozo do absurdo,
O gozo do irreal.
Sinto gozo!
O gozo que sinto cheira a liberdade…

16/02/2012

Acesso!

Estas garras que ferem a minha fera!

Demons se é para sangrar ( eis a imposição) que seja amor!!

Se vai doer...que seja amor!

Se vai corroer... que seja amor!

Se vai andar, avançar ou recuar...que seja amor!

Epa...se vai acontecer ...então que seja amor!

05/02/2012

Rasgo de ferro

"Há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofre, trancados até o nosso fim. E por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira". Hilda Hilst

Mas há sonhos que nos rasgam. Hoje sinto-me novamente perdida nesta trilha de ferragens e o comboio não passa... o sonho não chega, o antigo não morre e o circo da vida não me acena da janela...porque a janela do comboio da vida ainda não passou por esta trilha de ferragens...

E o comboio não passa...

01/02/2012

O problema da comunicação


Não é entoativa,é monocórdica, pouco acertiva, sem paixão... Ora cá está, again, a emoção que engloba cada vez mais e universalmente o problema de muita boa gente, empresas, economia e o que demais "vous" aprouver incluir.Problema do sistema educativo em geral e do psiquico de cada um em particular.

O problema comunicativo é pois um problema de apaixonamento.

A comunicação verbal ou não verbal; oral ou escrita deves ser apaixonada, sofrer de paixão e não se redimir à paixoneta! ( palavrinha nefasta que me causa utricária)
Quem comunica de ferroa ao peito e calor de paixão fá-lo de forma exacerbada, em tom alto e rápido e o comum tende a renegar. Odeio a normalidade.

Conclusão matam o orador pelo desânimo e muito por conta do problema psiquico que corrói o comun.

Questão da paixão à parte, mais do que a normalidade, enjoa-me a normalidade associada à pobreza.E no fundo o problema volta a ser a comunicação.

Ontem entrei no wc do Isel, depois de concluir mais um dos exames. Vislumbro uma montruosidade de comunicação. Havia rascunho para todo o mau gosto possivel: pedidos de socorro para um corção sofrido; frases de vocabulo escasso e pobre, de calão horribillis para entoar as mais variadas ofensas;anuncios de satisfação rápida com a pior criatividade sexual possivel. Terminando numa manifestação de liberdade que me espantou e entordeceu, passo a citar "fiz sexo anal no ISEL e os guardas a dormir." O comentário que me veio à mente, enquanto o escotro refilava,BOA! Enfim...a sexualidade não é uma revolução e enquanto a consignarmos a tabus a liberdade não insurgirá.

Alunos universitário estamos com um prolblema de comunicação e de frontalidade, assistido por uma enorme ausencia de ideias, good ideias!!Falta vos paixão pela comunicação e tem o vosso consciente com deficit de noção de belo.

Sugestão: usem a imagem em anexo para ralar de vez a porcarioa fisiológica e a mental. Que pobreza começa a ser uma epidemia grave. Falem de amor com amor, de sexo com originalidade criativa( uma boa imagem promove optimos orgasmos, façam se livres com atitudes de coragem, usem a arte poética para decorar o mundo. Deixem o oviculo de defecar livre de tanta porcaria, já basta a efectiva. Querem partilhar...partilhem com classe!

UFA..." O que é um facto é que esta vida é um wc onde se aborrece uma alma sensível"

29/01/2012

A história de cada um é a história dos seus medos

Deixou me a pensar demoradamente!
A coesão entre a coragem e a vontade traçam o caminho positivo. O medo de cada momento traça as escolhas mas também deixa na memória as belezas. A beleza da tristeza é um estado verdadeiro e constroie as histórias de cada um. São os continuos medos e as frustações que nos fazem desejar a felicidade... Que a tornam especial..
O desejo surge na medida do estado de cedência da alma, diria do estado de vulnerabilidade de cada um...Se é a atitude correcta?! não será, mas é ela que permite os grandes romances e histórias entrosadas na alma.
Esse medo vulnerável que desperta continuadamente o desejo.

26/01/2012

Hoje é assim desta forma...

Para os que me acompanham à socapa, por estas redes sociais..tenho a dizer que detesto o nevoeiro, mais ainda detesto qd aparece o sol, mas ele é frio e gélido. Termino a referir que me encontro com um humor absolutamente, e diria, estupidamente insuportável. Devo isto às ruas de Lisboa que hoje se esqueceram de sorrir e me alegrar. Digo isto às árvores que me fizeram ter frio e ao raio do técnico do multibanco que preencheu

a manhã com a visão do homem rasca, arrotador de profissão e escarrador nas horas vagas...

08/01/2012

Essência

Não é novidade nenhuma que teimo em ser eu própria mesmo que nada nem ninguém no mundo compreenda a essência do meu ser e daquilo que é a minha forma de viver esta vida.

Teimo e teimarei e não o faço por teimosia mas por pura convicção e porque quero ser um poço de vivências que enriqueçam a minha a alma. Pois os erros mais do que as virtudes são os pilares que fazem ascender a pessoa enquanto real pessoa. Não pretendo modificar a convicção humana, tenho a certeza que o quinto império, como diria Fernando Pessoa é mais do que necessário. Ele um homem de vícios aclamado e no fundo das mais sólidas consciência. de si próprio.

Aceito em pleno a vida e percurso de cada pessoa mesmo que não me identifique meramente, mas não sou ou serei julgadora, cada um traça a sua rota RUMO À FELICIDADE. Se me pedissem um conselho diria para serem sempre e indissoluvelmente felizes.

Mas enfim conclusões que tiro da vida e do mundo, enumero algumas frases de genialidades:



" O mundo recompensa mais as aparências de mérito do que o próprio mérito"



Todos julgam segundo a aparência e ninguém segundo a essência"



" Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade"



"Muitos escondem a sua maldade sobre a riqueza e outros a sua miserável pobreza de alma sobre a opulência de valores ."



" Sobre vestes rasgadas mostram-se os pequenos vícios, mas sobre as vestes de cerimónia surgem todos os vícios e defeitos."



E continuo a crer que o louco pode ser o mais sano nesta sociedade de hipocrisias e onde ninguém é verdadeiramente feliz por ter de cumprir dogmas sociais. Eu cumpro o meu dogma: viver e ser feliz. E ser feliz para mim é caminhar ate aos limites e experienciar o conhecimento de mim própria, não me escondo em sobriedades ridículas porque isso seria anular o meu objectivo supremo.



E fica para todos que o maior problema e único que nos deviam preocupar era ser e viver em felicidade e não fingindo perante nós próprios que somos felizes.



Aceitem a diversidade e diferença da essência de cada pessoa como a riqueza e beleza dessas pessoas. Porque desta passagem leva-se somente a vida que se teve. E a consciência de que a felicidade é uma construção interior onde nós somos a causa e efeito da mesma e para a qual não concorrem culpas alheias. os nossos fracassos são nossos , as nossas vitorias são nossas.

Paradise

Paradise : uma utopia que todos desejamos desde sempre. De Ulisses a Anne Frank. O poder da sua obtenção reside na criatividade e ela prevê a imortalidade do sonho. O sonho deve acompanhar-nos.O sonho acompanha-me... Tenho em mim uma vida complexa e trágica. A origem da minha tragédia é como a de Nietzsche: a música.Lembro do teatro grego em Barcelona, que me protagonizou orgulhosa da minha vida. Rodopiei nele como no palco da vida e pedi que fosse fácil, que tivesse sempre vontades... aceitei a imperfeição. Aprendo a encantar me com o natural e com o que a "janela" me mostra.

Existirão as coisas, que são efectivamente vagas coisas. A Vida pede-me que a cative e eu sigo por entre as coisas e sem a certeza das coisas que quero largar. Apetece-me o chão, rastejar e absorver...também me apetece vaguear. Fazer pinos hilariantes, renegar o sol e entender-me com a lua. Quero encontrar a verdade na natureza, como na lenda do girassol, que se ilumina de dia para, em verdade, chorar à noite a sua alma.

A face rosada da vida seria o meu paraíso...calculo que o de todos. Mas sei que a beleza está nas dores consagradas nas rugas cruzadas da face.

Em 2012 quero continuar a saber e a viver a beleza, pelas trilhas das desventuras, das complexidades. Porque as histórias que se eternizam são as aliadas do sofrimento. É de resto por isso que Romeu e Julieta é um clássico, falamos de Júlio César e Cleópatra, lembramos as tragédias gregas e os escritores surrealistas...

E tu?! Queres uma vida rosada ou a beleza tragicamente densa?

18/10/2011

Status/Essência

Se status é um posto social dotado de honra e posição social existem todavia estigmas que afectam negativamente o mesmo. E ai a frase Nietzschiana " Ser o que és" perde contornos de exito social.

Mais digo que o status de hoje se revela não na autenticidade e essência( esta palavra cada vez mais perdida como Atlanta) a prestigiar mas na aparência formal, adequada e com carteiras recheadas...

Meus caros hoje ter uma relação e apaixonar-se é um dos requisititos para se ter status, logo o mundo hoje impera em relações desprovidas de paixão e de essência( e repito a palavra) mas com o devido status.

Nesta actualidade cada vez mais decadente, mas "rica" em status, a estranheza profunda e densa com real sumo de existência é um parasita a extreminar...O racismo chegou à mente! Mas meus caros "status", o racismo é próprio de pessoas pouco elevadas! A nova burguesia surge hoje outra vez, adquirindo agora status!! Homens e mulheres de status, qual parada militar coordenada e a matar a verdade do ser. A sociedade dos pavões vinga...Hoje pelo menos... Porque o "quinto império " chegará!

Exmº donos do status,vocês, vivem e vivemos todos a problemática do reconhecimento, a equação entre a transparência do eu a si mesmo e aos outros. A dicotomia do "amor próprio" e do "amor de si".

Os do "alto" status perderam esses "amores" À MUITO!

Fiquem também cientes que quem desconhece a matéria jamais a poderá produzir...

E acerca desta coisa de status termino com esta...

Rousseau dizia que vivemos em duas vezes: uma para existirmos e outra para vivermos.Pois a sociedade dos status resolveu existir e deixou de viver!!

22/09/2010

Avô....

Expressões que me acompanharão para sempre...

" Escuta o que o avô vai dizer..."; " è a minha netinha...", "Esta é a flor mais bonita que criei nesta quinta..."

Não consigo escrever-te avô...não consigo dizer nada sobre ti, o homem sentado, serás mais uma Fénix, no meu coração um "pai" que viajou, vais conhecer o mundo primeiro que eu avô, nessa viagem eterna passando por todos os pontos deste planeta.

Até breve...meu vôvÕ, por como dizias esta é mesmo a lógica da vida, demasiado egoista todavia mas que fazer...ficas aqui na minha memória...nas nossas conversa que relembro em cada noite quando me deito e te vejo a sorrir, a cultivar na quinta, a regar os morangos enquanto eu os apanhava no meu cestinho...

Não te esqueças de regar esta flor para que ela n deixe de sorrir...

Abraço eterno...

22/07/2010

Gozo

Caminhar na brenha virgem,
ensaio de magnitude introspectiva...
Quedo num ápice e medro os braços ao solo...
Sente-se a gleba de onde venho,
as folhas, no chão, a crescerem para mim.
O dorso a mimosear-me.
Rebolando pelo desfiladeiro,
parando ali...na margem do lago,
que desenha a nossa circunstância,
e a nossa circunstância seria :
Eu e Tu,
Tu e Eu,
a humidade da terra,
a frescura da água,
o escaldar do ósculo,
a fundição,
o gozo do absurdo,
o gozo do irreal.

12/07/2010

Talvez a tristeza seja fruto de má interpretação...

A vida é frágil, instável e imprevisível...ou então somos nós pessoas que a achamos assim...quanto mais penso menos sei ao certo o que será. Pecaremos nós na interpretação das linhas?
Talvez se peque...
Talvez não se dê importância ao simples e verdadeiro, querendo mais densidade...que poder-se-á tornar duro e não tão feliz quando se obter...
Mas ambicionar uma semelhança e a sintonia não é errado, é um propósito de vida...Deve ser respeitado.
O papel de quem ama é amar e fazer nota-lo..senti-lo e exprimi-lo, não se ama para dentro só...
Ama-se na harmonia e sintonia, nos sorrisos cúmplices, nas vontades semelhantes, na dedicação constante...
Ama-se quando se contempla, quando se olha com ternura, quando vivemos o outro...
Talvez o amor não seja mais do que uma interpretação que fica como dado adquirido...ou talvez seja um teorema matemático irresoluto, que obedece a constante formulações de hipóteses..
Talvez amar seja viver na irrealidade...pois a vida traduz cenários reais e objectivos, com estereótipos concretos que devem regular a vida...
Talvez por isso não o sinta porque estou embrenhada na irrealidade.
Ou viva a definição correcta e queira apenas que percebam as pessoas deste mundo que amar é um trabalho árduo de encontro ao bem estar de quem se ama, e que isso implica continuar e não manter...
Talvez a vida não seja tão instável e seja eu, pessoa nesta multidão que tende a insistir na vida como instável..em vez de preferir a vida normal, rotineira e simples.
Poderei estar triste por querer com exaustão a intensidade de uma ligação profunda,ou estar triste por ser demasiado egocêntrica..talvez..já n veja amor porque me perdi na procura sem retorno..na procura que leva ao nada...e não veja o real...
Talvez mas não sei...continuo a acreditar na união feliz e reciproca,de atitudes felizes e penetrantes, de luares de amor, de vivência de sentimentos em limite...
Talvez seja incoerente nesta minha labuta...quero uma vida de entendimento no olhar, de vivência em metade, completa no uno que duas pessoas podem formar...

16/06/2010

Aqui...

Aqui ouvem-se dialectos críticos e reflectidos,
de civilizações jazentes mas eternas.
As linhas arquitectónicas de dóricas,
masculinas e robustas.
Aqui vêm-se esculturas bizarras e coloridas,
feitas de cacos de uma vida doméstica,
numa cozinha decorada de animais de loiça.
Aqui o menino brinca, calmo e sereno
envolto de animais aquáticos
vizinhos de estranhas aves.
Aqui o calor aquece as mãos mas
não incorre na alma,
fria e desperta nas brisas que ondulam
como ligeiros sorrisos,
deste lago,
que nada diz e tudo faz esquecer.
Aqui a dicotomia de cores verdes,
não trazem esperança mas trazem alento.
Ao fundo uma pirâmide multicolor, de faixas,
querendo subir ao alto do céu, que não esta pesado.

E eu aqui ciente de que são os sonhos a vida em que vivo.
Mas falta-lhes a brisa, para que sorriam,
a calma para que existam,
a dialéctica para que se construam
e a cor para subir ao céu,
escada para o fim em vitória..

02/06/2010

...

Transcrevo pela beleza e intensidade de o que se sente nele...
Como diz o poeta :
Dizem que finjo ou minto tudo o que escrevo...Eu sinto com imaginação e não uso o coração..
Por isso escrevo em meio...,Sentir? Sinta quem o lê!

...

Com cada lágrima que brota deste olhar,
de rosas murchas,
tento espremer, o ultimo resquício de ser e sentir, de existir...
Na penumbra da noite,
consolo no luar frio,
este calor aflito que ninguém compreende ou sente.
A vida que defino na busca da felicidade,
do amor (aquela utopia)
De amor fulgurante,
que se incendeia a cada dia que amanhece,
se multiplica em curvas de prazer em cada anoitecer.
Que embebeda as mentes
com palavras doces mas loucas.
Que provam o bem do vinho dos deuses,
O bem da loucura divina,
O bom de sentir...
O não da consciência destrói e arrebata essa vida,
Torna caos a loucura.
E o problema do mundo não é a loucura,
mas o caos.
O caos de uma linha de vida,
que se perde,
que se corta,
que se abisma:
no zero;
no não;
no nada;
"Esse nada que é tudo
mas um tudo que é nada.
Nada de feliz,
Nada de confortante,
Nada de arrebatador,
Nada de maravilhoso,
Tudo de dor,
Tudo de estrondoso,
Tudo de desolador.
Vida desolada.
Perdida na neblina de um mar vermelho.
Sangue de dor,
de um coração mirrado.


Algures em 2009

Para quem estranha a alma...

Fernando Pessoa o homem das quadruplicidade...mas que chega com racionalidade a quem sofre de incompatibilidades e desajustes de alma...ou para os introspectivos que estão na construção do seu EU...

HORA ABSURDA


O TEU SILÊNCIO é uma nau com tôdas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraiso...

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e
entanto
Tu és a tela irreal em que erro em côr a minha arte...

Abre tôdas as portas e que o vento varra a idéia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida p'la maré cheia,
E a minha idéia de te sonhar uma caravana de histriões...

Chove ouro baço, mas não no lá-fora...É em mim...Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e tôda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um pôrto...
A chuva miúda é vazia...A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!...Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Tôdas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias tôdas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é nem boa nem má...

Os feixes dos lictores abriram-se à beira dos caminhos...
Os pendões das vitórias medievais nem chegaram às cruzadas...
Puseram in-fólios úteis entre as pedras das barricadas...
E a erva cresceu nas vias férreas com viços daninhos...

Ah, como esta hora é velha!... E tôdas as naus partiram!
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até para si calam...

O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudade de si ante aquêle lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

A doida partiu todos os candelabros glabros,
Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas...
E a minha alma é aquela luz que não mais haverá nos
candelabros...
E que querem ao lago aziago minhas ânsias, brisas fortuitas?...

Por que me aflijo e me enfermo?...Deitam-se nuas ao luar
Tôdas as ninfas... Veio o sol e já tinham partido...
O teu silêncio que me embala é a idéia de naufragar,
E a idéia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...

Já não há caudas de pavões tôdas olhos nos jardins de outrora...
As próprias sombras estão mais tristes...Ainda
Há rastros de vestes de aias (parece) no chão, e ainda chora
Um como que eco de passos pela alamêda que eis finda...

Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a idéia de te julgares calma,
E eu ver isso em ti é um pôrto sem navios...

Ergueram-se a um tempo todos os remos...pelo ouro das searas
Passou uma saudade de não serem o mar...Em frente
Ao meu trono de alheamento há gestos com pedras raras...
Minha alma é uma lâmpada que se apagou e ainda está quente...

Ah, e o teu silêncio é um perfil de píncaro ao sol!
Tôdas as princesas sentiram o seio oprimido...
Da última janela do castelo só um girassol
Se vê, e o sonhar que há outros põe brumas no nosso sentido...

Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...
Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...
Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...
Por que não há de ser o Norte e Sul?... O que está descoberto?...

E eu deliro... De repente pauso no que penso...Fito-te...
E o teu silêncio é uma cegueira minha...Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho...

Para que não ter por ti desprêzo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore...O teu silêncio é um leque ---
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram tôdas as mãos cruzadas sôbre todos os peitos....
Murcharam mais flôres do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncio eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim...

Alguém vai entrar pela porta...Sente-se o ar sorrir...
Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgens que tecem...
Ah, o teu tédio é uma estátua de uma mulher que há de vir,
O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...

É preciso destruir o propósito de tôdas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de tôdas as terras,
Endireitar à fôrça a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã --- como

nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...

Suave, como ter mãe e irmãs, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece,
E o meu saber-te a sorrir é uma flor murcha a meu peito...

Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
Ah, se fôssemos as duas côres de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia batismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro êste lema --- Vitória!

O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...
Não sei...Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...
Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...



Fernando Pessoa